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“É preciso tratar as famílias quando se trata as crianças”, diz médica responsável pelo Viver Bem Infantil de Rio das Ostras

Abril é o mês dedicado à conscientização sobre o autismo. Buscando ampliar a sensibilidade e o entendimento em relação ao tema, entrevistamos a neuropediatra, Ana Lucia Dias Guimarães. A médica é a atual responsável pelo Viver Bem Infantil de Rio das Ostras, uma das três unidades da Unimed Costa do Sol dedicadas ao atendimento de crianças e adolescentes com transtornos do neurodesenvolvimento.

Inaugurado em 2023, o recurso oferece aos beneficiários um ambiente diferenciado, com estímulos de sons, texturas e cores da recepção à área externa. São 13 salas para atividades terapêuticas individuais e oficinas em grupo, além de uma equipe multidisciplinar composta por neuropediatra, psicólogas, psicomotricistas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogas, psicopedagogas, neuropsicólogas e musicoterapeutas.

Há cerca de 500 pacientes nesta unidade, sendo realizados em média 5 mil atendimentos por mês. E a demanda não para de crescer. Estimativas apontam que há 4 milhões de pessoas com TEA no Brasil.

O Viver Bem Infantil de Rio das Ostras tem um número expressivo de atendimentos, são mais de 500 pacientes. Na sua opinião, a que se deve essa alta demanda?

As mães estão mais orientadas, elas percebem quando há algo diferente, buscam ajuda, orientação e atendimento. Sabem que quanto mais cedo você tratar ou fizer a intervenção é melhor. Percebemos que houve um aumento nesse período pós-pandemia, 2023 foi o auge dessa demanda de crianças chegando com necessidade de atendimentos terapêuticos, de interação, de recuperação da capacidade mental, da estimulação precoce, da linguagem. E os serviços precisam se adequar a essa demanda que chegou.

Quais são as principais necessidades que esses pacientes apresentam?

É fato que a questão das crianças com ansiedade aumentou, temos também o déficit de atenção, as questões escolares como dificuldades no enfrentamento escolar, no aprendizado. E não são só as crianças, hoje os adolescentes também estão chegando dentro do espectro. A saúde mental tomou conta dos ambulatórios e a gente percebe essa necessidade de dar suporte. Todos nós, profissionais, estamos envolvidos no tratamento, em difundir o conhecimento e oferecer acolhimento.

Esse acolhimento se estende também à família, certo? É um tratamento que precisa de apoio dos locais onde o paciente está inserido, como a escola. 

Exatamente. É preciso tratar a família quando você trata a criança. A rotina da família muda muito. Você tem o pai, tem a mãe, tem um irmão, que se preocupam, que precisam se dedicar, porque às vezes a rotina familiar é totalmente modificada e a gente precisa entender o contexto para ajudar. A própria escola tem se preparado mais, porém ainda tem muito trabalho a fazer, muito material a ser construído para se adaptar às necessidades e à questão comportamental que é o que mais dificulta na escola, da atenção, da linguagem, para que a criança participe das atividades.

E o VBI tem conseguido dar o encaminhamento necessário, oferecendo as terapias, os recursos e a atenção aos pais?

Com certeza, o trabalho foi pensado, a estrutura, para que não houvesse erros no acolhimento. A equipe de terapeutas é muito boa, há entrosamento entre os profissionais e comprometimento com o tratamento.  Existe o feedback, quando há necessidade de a família vir aqui a gente conversa, tudo com a preocupação de melhorar a capacidade mental das crianças, assim como todo seu desenvolvimento.

Para você, qual o principal desafio que ainda temos a enfrentar?

Acredito que o maior desafio nesse período de pós-pandemia ainda é formatar a recepção desse paciente, estar preparado para receber diante do aumento da demanda. Então o desafio é saber como receber.

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